Bombeiras seguem carreira do pai

O sargento Lucas, do Corpo de Bombeiros, não podia imaginar que as suas duas filhas, Gabriela e Daniela, seguiriam a sua carreira. De tanto que ele as levou para conhecer quartéis e viaturas, elas tomaram gosto pela profissão e ingressaram na Escola de Bombeiros.

As duas moradoras de Jundiaí já estão atuando na profissão. Elas têm 26 anos e trabalham nas ocorrências de salvamento da população.

Segundo o departamento de Comunicação do 19º Grupamento dos Bombeiros, só o pai que não atua em Jundiaí. O sargento Lucas está no 3° Grupamento, que fica na Mooca, em São Paulo.

A corporação de Jundiaí aproveitou o exemplo dessa família para desejar o Feliz Dia dos Pais a todos os pais.

Filhos amam os bombeiros

No 19º Grupamento de Bombeiros de Jundiaí há mais exemplos de filhos que adoram o trabalho do pai. É o caso do soldado Vinícius que tem dois filhos. A esposa disse que é “um grande pai e um grande profissional.. Na foto, os garotos Artur de 3 anos e Murilo de 5 anos.

 

Outros exemplos

Frases populares, como “tal pai, tal filho”, “filho de peixe, peixinho é” e “seguindo os passos do pai”, fazem parte do nosso vocabulário e expressam uma ideia muito presente no imaginário coletivo: a de que alguns filhos crescem admirando o ofício de figuras paternas e decidem seguir o mesmo caminho. No mundo da arte, do design e da moda existem exemplos de pais que criaram verdadeiros legados que são levados adiante pelas novas gerações com o trabalho dos filhos e netos.

Ruy Ohtake, um dos grandes nomes da arquitetura brasileira cujas obras são marcadas por uma forte plasticidade, pelo uso de tecnologias construtivas inovadoras e pelo trabalho com formas orgânicas, é responsável por construções icônicas como o Hotel Unique e o Instituto Tomie Ohtake, ambos em São Paulo – este último, um espaço dedicado à produção cultural, principalmente brasileira, e com uma sala permanente dedicada à obra da artista e mãe de Ruy que dá nome ao edifício. A família tem um forte legado no mundo da arte, arquitetura e design e, assim como o pai, Rodrigo Ohtake também é arquiteto e carrega em seu nome e em seu trabalho a história da família.

“Meu pai é uma pessoa que sempre ficou muito em seu escritório, trabalhando, e desde pequeno fui acostumado a ir para lá enquanto ele ficava desenhando até tarde. Sem dúvida seu trabalho influenciou a minha escolha de carreira. Acompanhá-lo em viagens mundo afora para participar de palestras e eventos me ajudou a escolher a profissão de uma maneira muito natural”, conta Rodrigo Ohtake. O arquiteto e designer desenvolveu seu estilo arquitetônico próprio no uso de cores e formas livres em projetos residenciais, institucionais e em desenho de móveis, com produção de peças autorais que lhe renderam frutos. Entre eles, a participação em feiras como a Design Miami e a parceria com a empresa Punto e Filo para a criação de uma linha de tapeçaria.

Com referências que vão do arquiteto mexicano Luis Barragán, mestre no uso de cores, Oscar Niemeyer (1907-2012) e Vilanova Artigas (1915-1985), expoentes da arquitetura brasileira, Rodrigo revela que a relação com o pai também está presente em suas criações. “A principal influência vem de uma maneira mais abstrata. Admiro a sua forma de ser ousado, curioso, criativo e destemido. Valores que ele me passou durante a vida inteira e que carrego comigo”, conta Rodrigo sobre Ruy Ohtake.

Mobiliário nacional

O legado do pai também está presente no trabalho de Zanini de Zanine, nome forte quando o assunto é o design brasileiro contemporâneo. O carioca é filho do arquiteto e também designer Zanine Caldas (1919-2001). Caldas foi considerado um expert em trabalho com madeira com grande contribuição para a história do mobiliário nacional. Fortemente inspirado pela figura paterna, Zanini de Zanine se especializou na produção de móveis e trabalha para manter o legado paterno vivo, participando ativamente da reedição de peças criadas pelo arquiteto. “A obra dele em todas as suas vertentes é de grande personalidade e tradução de nossa cultura. Carrego e compreendo cada vez mais sua genialidade e coragem a cada dia que passa. Absorvi boas informações desde os quatro anos de idade e isso vai me influenciar com toda certeza para sempre”, revela Zanini de Zanine, sobre sua relação com as criações do pai.

“Desde criança, o barulho seco de ferramentas ao encontro de madeiras maciças começou a aguçar a minha curiosidade e o entendimento de que mobiliário estava sendo produzido naquele local”, diz. Momentos que moldam gerações e ajudam os legados da arte e cultura a continuarem vivos e pulsantes na história de nosso país. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo / (Por Alice Ferraz)