Pato-Mergulhão nasce por meio natural no Zoo

O Zooparque Itatiba tem registrado sucesso na reprodução por meio natural de pato-mergulhão. A espécie é uma das aves aquáticas mais raras e ameaçadas do mundo, com menos de 250 indivíduos na natureza. O Zooparque Itatiba é a única instituição no mundo que mantém essa espécie sob seus cuidados. Somente neste período reprodutivo de 2020, 14 filhotes nasceram e outros estão por vir.

No dia 1º de agosto, sete filhotes nasceram de ovos incubados pela própria mãe. É a primeira vez que é registrado um número tão grande de filhotes nascidos de um único casal de pais sob cuidados humanos. Além da ninhada recorde registrada do dia 1º, na terça-feira (4) outro casal de pais de primeira viagem teve cinco filhotes. No dia 9, nasceram dois filhotes de ovos proveniente de uma coleta na Serra da Canastra, e hoje estão sob cuidados de pais adotivos no zoo.

O projeto de conservação ex situ de pato-mergulhão, que tem sua base no Zooparque Itatiba, faz parte do PAN (Plano Nacional de Conservação) do pato-mergulhão, criado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em 2006 e que entrou em seu segundo ciclo em 2019. O Zooparque Itatiba desempenha um papel fundamental nas diretrizes desse plano e o projeto tem como foco principal o aumento das populações da ave, possibilitando, futuramente, a reintrodução das gerações nascidas no zoológico em seu habitat natural.

O Zooparque tem hoje 29 patos-mergulhões adultos e 14 filhotes. Até então, a instituição nunca havia registrado um sucesso reprodutivo tão significativo dos casais. “O registro de um casal com sete filhotes é uma notícia muito alegre e um resultado muito importante. Em seu habitat natural, um casal pode chegar a gerar sete ou oito filhotes, mas a maioria deles é predada por outros animais, e apenas cerca três indivíduos sobrevivem. Já aqui no zoológico, estes animais terão todos os cuidados e proteção necessários, garantindo a segurança de todos os indivíduos.”, explica Camila Piovani, bióloga responsável pelo Zooparque Itatiba. Segunda a bióloga, estes filhotes são a segunda geração de aves nascidas sob cuidados humanos, ou seja, são filhos de aves já nascidas de uma reprodução ex situ, o que é de extrema importância para o sucesso do projeto de conservação.

Para Robert Kooij, diretor do Zooparque Itatiba e studbook keeper da espécie, o nascimento da segunda geração de patos-mergulhões é uma etapa essencial desse grande projeto. “Estes nascimentos indicam um futuro muito promissor para o projeto e para a conservação da espécie. A possibilidade de reintrodução destas aves nascidas sob cuidados humanos na natureza mostra como os zoológicos são importantes na conservação da fauna brasileira, pois é através de projetos como este que podemos garantir a sobrevivência de uma espécie criticamente ameaçada de extinção como o pato-mergulhão”, ressaltou.

COLETA IN NATURA

A captura de ovos em ambiente natural através de coleta científica é parte importante do projeto de conservação. Alguns ovos são coletados e transportados para o zoológico onde serão incubados posteriormente. Essa coleta científica, que é devidamente autorizada pelo ICMBio, é parte essencial do projeto e ajuda a aumentar a variabilidade genética da população sob cuidados humanos.

No dia 6 de julho deste ano, o consultor do PAN Alexandre Resende realizou a coleta na Serra da Canastra (MG) e o transporte dos ovos para o zoo. Na instituição, os ovos foram colocados sob os cuidados de uma mãe adotiva, que incubou os mesmos e agora cuida dos dois filhotes que nasceram.

 

MAIS NASCIMENTOS

O período reprodutivo do pato-mergulhão no Zooparque ainda não terminou. A instituição ainda espera o nascimento de mais filhotes ainda este mês. “Além de ser um prazer cuidar destes animais, é uma felicidade incrível ver todos estes filhotes e admirar o cuidado que os pais têm com cada um deles todos os dias”, comentou Paula Mecias, cuidadora responsável pelos patos-mergulhões no Zooparque Itatiba.

O pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais ameaçadas do mundo, considerada criticamente em perigo de extinção em nível global segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). Segundo a entidade, existem menos de 250 aves em vida livre e esse número está diminuindo. A espécie só é encontrada nas regiões da Serra da Canastra (MG), Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO).

Devido à grande importância da conservação desta espécie, o pato-mergulhão recebeu, no 8º Fórum Mundial da Água, em março de 2018, em Brasília, o título de Embaixador das Águas do Brasil. Quando se fala na conservação do pato-mergulhão fala-se na conservação de toda a biodiversidade e na conservação das principais nascentes dos rios que abastecem a população.