Paulista é fechada para protesto contra Bolsonaro
FLÁVIO FERREIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Manifestantes contrários ao presidente Jair Bolsonaro se concentraram na tarde deste sábado (29) na avenida Paulista, em São Paulo, que foi bloqueada em frente do Masp (Museu de Arte de São Paulo).
O protesto, que se espalhou por quatro quarteirões, faz parte da série de atos pelo País apoiados por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos de esquerda.
Pela manhã, houve atos em capitais como Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Recife.
As manifestações, que foram alvo de críticas por acontecerem presencialmente em meio à pandemia da Covid-19, são realizadas num momento em que o país ultrapassa 450 mil mortes pela doença, sendo 2.418 registradas em 24 horas. Pelo menos nove capitais, além do Distrito Federal, têm ocupação acima de 90% dos leitos de UTI.
O ato em São Paulo estava marcado para as 16h. Na concentração, havia bloqueios embaixo do vão-livre do Masp, que foram derrubados quando começou a chover.
A recomendação dos organizadores para a utilização de máscaras teve ampla adesão de manifestantes –e também houve distribuição do equipamento no local. No entanto, havia pontos de aglomeração, assim como em outros lugares do país.
Organizada por frentes sociais como Povo sem Medo, Brasil Popular e Coalizão Negra por Direitos (que são integradas por dezenas de entidades) e apoiada por partidos como PT, PSOL, PC do B, PCB, PCO e UP, a manifestação representa um avanço para a ala da esquerda que defende ir às ruas e reunir multidões contra Bolsonaro.
Houve um racha nos segmentos de oposição ao presidente nos últimos meses sobre promover atos populares em meio à pandemia, mas ganhou força na esquerda um entendimento de que a situação de descontrole da Covid-19 e os índices de desemprego e fome exigem a realização de protestos.
A promoção de aglomerações contraria as recomendações de médicos e especialistas para evitar a propagação do vírus. Em ambientes ao ar livre, a orientação é a de que as pessoas mantenham uma distância de pelo menos 1,5 metro.
Uma das preocupações dos organizadores é diferenciar os atos da esquerda daqueles promovidos por apoiadores de Bolsonaro, que muitas vezes atraem pessoas sem a devida proteção para evitar o contágio, como ocorreu no Rio de Janeiro no último domingo (23).
Bombas e correria
JOÃO PEDRO PITOMBO
SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – A manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro foi encerrada com bombas de gás lacrimogênio, tiros de balas de borracha e correria nas ruas do centro do Recife neste sábado (29).
De acordo com os organizadores, o ato acontecia de forma pacífica e mantendo o distanciamento entre as pessoas. Contudo, os manifestantes foram surpreendidos por uma guarnição da tropa de choque da Polícia Militar bloqueando a rua já no final do trajeto.
Os manifestantes pararam a cerca de 200 metros do bloqueio, mas os policiais avançaram e lançaram bombas de gás, gerando correria. Um vídeo mostra a vereadora Liana Cirne (PT) sendo atacada com gás de pimenta ao tentar negociar com policiais que estavam em uma viatura.
Um dos organizadores da manifestação, o vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) afirmou que as agressões aconteceram de forma gratuita e criticou o governador Paulo Câmara (PSB).
“Se um protesto sem violência é interrompido de forma tão violenta e gratuita, ou o governador ordenou que a polícia encerrasse a manifestação ou ele não manda na sua própria polícia”, disse.
Procurada, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco ainda não se manifestou sobre o conflito.
Em uma rede social, a vice-governadora Luciana Santos (PC do B) afirmou que a ação policial não foi autorizada pelo governador Paulo Câmara.
“O governador Paulo Câmara tem se pautado pela democracia, pelo diálogo […] Nós repudiamos esse tipo de atitude e vamos tirar as consequências do acontecido”, afirmou.
Na sexta-feira (28), o Ministério Público estadual havia emitido uma recomendação de suspensão dos atos para evitar a disseminação do vírus. Ele expediu recomendações semelhantes contra aglomerações em manifestações de apoio ao presidente Bolsonaro.
Liderados por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos de esquerda, os atos contra Jair Bolsonaro reuniram manifestantes em várias cidades do país. Na manhã deste sábado (29), houve protestos em capitais como Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília e Recife.
As manifestações, que foram alvo de críticas por acontecerem presencialmente em meio à pandemia, são realizadas num momento em que o país chega a 459 mil mortes pela doença, sendo 2.418 registradas nas últimas 24 horas, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.
A expectativa da organização é que atos semelhantes aconteçam em pelo menos 205 cidades, incluindo as 27 capitais, até o final do dia.
Como mostrou a Folha, a mobilização nacional deste sábado foi feita pensando em desgastar Bolsonaro e incentivar a CPI da Covid, enquanto o impeachment é visto como algo ainda distante. Líderes ligados à organização, porém, enxergam os atos como um impulso.
O dilema entre o discurso pró-isolamento social e o incentivo a aglomerações resultou em diferentes níveis de participação. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) não convocaram seus integrantes institucionalmente, embora não impeçam a ida.
PT, PSOL, PC do B, PCB, PCO e UP declararam apoio à iniciativa e dispararam chamados para os militantes, mas ressaltaram que a organização é de responsabilidade de frentes Povo sem Medo, Brasil Popular e Coalizão Negra por Direitos (que congregam dezenas de entidades).
Foto de Gabriel Souza


