quinta-feira, 4, junho, 2026, 13:59
JUNDIAÍ

Sem traumas: como falar com as meninas sobre puberdade de forma leve

Nesta semana de comemorações ao Dia das Mulheres é muito muito falado sobre os mais diversos temas relacionados à saúde, segurança e bem-estar da mulher. Mas não pode ser deixada de lado a primeira fase mais marcante na vida da mulher: a despedida da infância, conhecida como puberdade. É nessa fase que a menina tem contato com descobertas naturais, adaptações no corpo, turbilhões de emoções e inseguranças e precisa ser orientada e acalmada.

A transição da infância para a adolescência é uma vivência única, que deve ser aproveitada e respeitada. É o que conta a psicóloga e neuropsicóloga de Jundiaí, Juliana Romêra Santucci. Segundo a profissional, as famílias ficam perdidas em como conduzir essa situação. Nesse contexto é comum os conflitos e dificuldades em aceitar o novo cenário que está sendo construído.

“É importante aceitar que sua filha busque a sua afirmação e a sua independência. Um relacionamento franco, com diálogo, respeito e afeto entre a adolescente e a família, vai facilitar a tomada de decisões e a convivência”, salientou.

 

QUANDO COMEÇA

Puberdade é o nome do período em que ocorre a transição da infância para a vida adulta. As meninas costumam iniciar a puberdade entre os 8 e 13 anos de idade. Ao final desse período, por volta dos 18 anos, a maturação sexual está completa.

É nesse momento que podemos observar, além do desenvolvimento físico, o amadurecimento mental e social.

Nas meninas, o estrogênio e a progesterona são os hormônios esteroides responsáveis pelo surgimento das características sexuais secundárias. Nesse grupo, a puberdade começa com o aumento das glândulas mamárias, surgimento dos pelos pubianos e axilares e, por último, a menarca, que é a primeira menstruação. A menarca não tem uma data específica para acontecer e está relacionada a diversos fatores, como período de ocorrência da menarca da mãe e fatores emocionais e ambientais.

 

REDES SOCIAIS

Ainda de acordo com a psicóloga, muitas pessoas, quando se veem no papel de pai ou mãe, esquecem que um dia já foram adolescentes. Apesar de os tempos serem outros, as expectativas e a ansiedade pelas intensas mudanças que sentiam sempre estiveram presentes.

Atualmente os pais tem um novo desafio: enfrentar os impactos das redes sociais na saúde mental das filhas. “Estudos mostram que o impacto negativo das redes é maior nas meninas, devido ao amadurecimento antes dos meninos. Mais curiosas, buscam mais informações e referencias que muitas vezes podem ser falsas e negativas para a construção da autoimagem feminina. Então é fundamental que a família crie um ambiente de confiança e orientação para essa adolescente”.

 

BEM-ESTAR

O manejo parental auxiliado e mediado por uma terapeuta pode contribuir para a busca da sintonia e adequação familiar. Além disso, encontrar limites comportamentais de forma saudável e deixar a porta aberta para o diálogo são fundamentais, assim como os momentos de escapes e respeito à privacidade. Os jovens devem se identificar com a rotina. Esportes, atividades, bem como as escolhas, precisam ser significativas e ter identidade — não podem ser impostos.

“Preferir o silêncio, pensando que conversas incentivam a sexualidade e o sexo, é um erro. Orientações verdadeiras ajudam a diminuir dúvidas e ansiedade. Escute sua filha, não tenha vergonha de falar que não sabe tudo e aproveite para juntos, buscarem informações. Tudo isso ajuda a menina e futura mulher a se tornar mais segura e confiante. A maneira como construímos a nossa sexualidade ao longo da vida é que vai nos ajudar nas escolhas e nas atitudes de maior ou menor proteção para a saúde”, concluiu a psicóloga.