quarta-feira, 3, junho, 2026, 20:47
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Mulher foge de cárcere. Autor agredia a vítima todos os dias e a obrigava a ficar nua em casa

Uma mulher conseguiu escapar após ser mantida em cárcere privado por aproximadamente um mês e meio no bairro Ivoturucaia, em Jundiaí. O autor mantinha a vítima sempre trancada dentro de casa e obrigava a ficar nua. Foram muitas as agressões ao longo desse tempo. A vítima conseguiu fugir e acionou a Polícia.

Durante o período de confinamento, ela sofreu agressões físicas e psicológicas diárias, além de ser forçada a consumir drogas e bebidas alcoólicas.

O caso foi registrado como violência doméstica, lesão corporal, ameaça e sequestro e cárcere privado, e foi registrado pela equipe do delegado Elvis Rodrigues Rocha.

Segundo o relato da vítima à polícia, ela iniciou um relacionamento com o agressor e, após cerca de uma semana convivendo juntos, passou a ser privada de liberdade dentro da residência. Ela não podia sair de casa nem sequer ultrapassar o portão, uma vez que as chaves ficavam exclusivamente sob posse do suspeito, que as escondia.

A mulher afirmou que somente saía se estivesse acompanhada pelo companheiro, inclusive para adquirir bebidas alcoólicas ou quaisquer objetos. Jamais podia permanecer na residência enquanto ele saía sozinho. Durante todo o período de convivência, o agressor a impedia de ir ao mercado, à esquina ou a qualquer estabelecimento desacompanhada.

Agressões e drogas forçadas

De acordo com a vítima, o suspeito passou a obrigá-la diariamente a ingerir bebidas alcoólicas e a consumir drogas. Ela relatou que, quando a droga e a bebida terminavam, ele se alterava, demonstrando agressividade.

A mulher afirmou que, nessas situações, o agressor se irritava por motivos banais, como ela elogiar uma música, e passava a agredi-la fisicamente e verbalmente, chamando-a de “prostituta” e ameaçando matá-la e à sua família.

Ela relatou ter sofrido diversas agressões, incluindo socos na região lombar e na cabeça, tapas e chutes. Por conta de um dos golpes, chegou a ficar dois dias sem conseguir andar. Em um dos episódios, o suspeito a derrubou ao solo e chutou sua cabeça, causando diversas lesões nas pernas, braços e costas.

A vítima ressaltou que as agressões eram frequentes e que o agressor justificava sua conduta dizendo sentir ciúmes. Após os episódios de violência, ele voltava da cozinha com comida e a obrigava a comer, mesmo enquanto ela chorava.

Pertences vendidos para comprar drogas

A mulher informou ainda que sua panela, botijão de gás, caixa de som, máquina (eletrodoméstico) e outros pertences foram vendidos pelo suspeito para adquirir drogas. Ela relatou que possuía aproximadamente R$ 690 em seu cartão e que, ao acompanhar o agressor para comprar ração para o cachorro, ele pegou seu cartão e retirou dinheiro, mantendo consigo tanto o cartão quanto o celular da vítima.

A mulher narrou que não tinha liberdade alguma, devendo acompanhá-lo em todos os lugares, inclusive bares, mercearias e pontos de venda de drogas, ficando totalmente privada de autonomia. Ela era obrigada a permanecer despida dentro de casa.

A fuga

A vítima relatou que, em determinado momento, quando a bebida e a droga acabaram, o suspeito quis ir buscar mais. Dessa vez, ele insistiu para que ela fosse sozinha, dizendo estar “muito louco” para sair. A mulher percebeu que seria sua oportunidade de fugir.

Ela vestiu-se rapidamente, colocou uma jaqueta e pegou sua bolsa — na qual já havia deixado documentos nos últimos dias — e pediu o celular ao agressor, dizendo que ligaria para ele assim que chegasse. O suspeito abriu o portão e permitiu que ela saísse.

A vítima entrou em um veículo de aplicativo e simulou ligação com o agressor, deixando o telefone no modo silencioso. Desceu do veículo quando percebeu a presença de viaturas policiais nas proximidades, ocasião em que correu desesperada pela via, chegando a cair na calçada. Após cerca de dez minutos, conseguiu contatar suas filhas, que foram ao seu encontro.

Ameaças e intimidações

A mulher relatou que, aproximadamente dez dias antes, o suspeito lhe arremessou um banco de madeira pesado, causando hematomas em sua perna e braço.

Disse também que ele já lhe desferiu golpes com pedaço de madeira, jogou copo de vidro contra ela e lhe causou diversas marcas, algumas ainda visíveis.

Há três dias, segundo seu relato, o agressor a agrediu com duas pancadas na cabeça utilizando o cabo de uma faca grande. Embora não tentasse atingir com a lâmina, usava o objeto como forma de intimidação e agressão.

A vítima contou que o suspeito costumava dizer que “é amigo do pessoal do PCC”, que “carrega droga” e que conhecia indivíduos supostamente perigosos, utilizando tais falas para intimidá-la. Ele também a ameaçava dizendo que “daria um tiro em sua cara” e que mataria toda sua família, embora ela não saiba se ele possui arma de fogo.

Temendo ser reconhecida ao sair, a mulher retirou a blusa do agressor que vestia e a colocou invertida, escondendo a estampa, posicionando-se próximo a uma viatura para buscar proteção.

O caso está sob investigação da Polícia Civil, conduzido pelo delegado Elvis Rodrigues Rocha. A vítima foi orientada sobre seus direitos previstos na Lei Maria da Penha e sobre as medidas protetivas disponíveis.