Falta de vagas no período noturno gera drama para estudantes de Várzea Paulista
Pais e alunos de Várzea Paulista enfrentam um drama com a falta de vagas no período noturno do ensino médio na rede estadual. A reorganização de salas de aula promovida pela Unidade Regional de Ensino (URE) de Jundiaí na E.E. Professor Nathanael Silva, na Vila Santa Terezinha, tem deixado estudantes que trabalham durante o dia sem alternativa para continuar os estudos.
A moradora Thais Câmara fez um apelo ao prefeito de Várzea Paulista, Professor Rodolfo, pelas redes sociais e procurou o “Jornal da Região”, relatando a situação enfrentada por seu filho e outros alunos do 2º ano do ensino médio.
“Nós pais estamos enfrentando uma luta para conseguir dar uma educação digna e ensinar nossos filhos quanto é importante estudar, e agora estamos batendo de porta em porta para procurar vaga”, desabafou.
Segundo Thais, os estudantes que trabalham no horário comercial foram informados de que não há vagas no período noturno, criando uma situação insustentável. Seu filho teria de ir estudar na Vila Real, algo que seria impossível já que trabalha.
“Não é justo eu tirar meu filho do trabalho, que traz uma grande bagagem da vida como aprender também a ter responsabilidades, e deixar ir estudar nesse horário péssimo, de 14h30 às 21h30. Basicamente nem tem professor para dar aula e os alunos ficam lá muitas vezes ociosos”, criticou.
A mãe afirmou que, caso a situação não seja resolvida, seu filho e outros alunos terão que pedir demissão dos empregos.
“Será que isso que temos que aceitar para educação dos nossos filhos? Eu não aceito, quero que meu filho estude, tenha valores, seja um cidadão honesto e responsável”, declarou.
A gestão do governador Tarcísio de Freitas precisa rever algumas decisões na Educação.
Guardinha de Jundiaí também enfrenta dificuldades
O problema não se limita a Várzea Paulista. A Guardinha de Jundiaí, instituição que atua na inserção de jovens em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho, está enfrentando dificuldades para abrir novas inscrições devido à escassez de vagas em escolas públicas com período noturno.
Segundo a instituição, as mudanças recentes no modelo educacional, com a ampliação do ensino em período integral, têm impactado diretamente o público mais vulnerável.
“Para muitos desses jovens, a ausência de uma alternativa no período noturno inviabiliza a inserção no mundo do trabalho, aprofundando desigualdades e limitando oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional”, destacou a organização.
A Guardinha informou que não está abrindo inscrições para novos participantes no momento. A expectativa é que, após o retorno das aulas em 2 de fevereiro, seja possível reavaliar o cenário.
Fundada em fevereiro de 1979 pelo promotor público Dr. José Carlos Vieira, a Guardinha já contribuiu para a formação de muitos jovens que se tornaram empresários, gerentes de empresas, bancários e profissionais de diversas áreas.
Posicionamento da Educação
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou que, após análise da demanda por matrículas para o ano letivo de 2026, a URE de Jundiaí promoveu reorganização de salas de aula na E.E. Professor Nathanael Silva.
“A medida foi tomada com base em critérios técnicos e pedagógicos da rede estadual, não havendo prejuízo ao atendimento dos estudantes, que permanecem regularmente matriculados e assistidos”, afirmou a pasta.
A Seduc-SP esclareceu que todo estudante que necessitar tem vaga garantida na rede pública de ensino, sendo direcionado à escola mais próxima de sua residência que possua vaga disponível para o ano/série pretendido.
Para frequentar aulas no período noturno, é necessário que o responsável apresente declaração de vínculo empregatício emitida pelo empregador.
Caso a escola que ofereça aulas noturnas esteja a mais de 2 km da residência, será disponibilizado transporte escolar, conforme a Resolução SE nº 27.
A URE Jundiaí informou que, no momento, não há estudos para ampliação do Programa de Ensino Integral (PEI) em Várzea Paulista e que a rede permanece à disposição da comunidade escolar para esclarecimentos.
A situação levanta debate sobre políticas públicas de inclusão e o direito de jovens em vulnerabilidade social conciliarem educação e trabalho protegido, especialmente em um momento de transformações no modelo educacional do Estado.
4 Km de distância
De acordo com o Google Maps, dependendo da rota utilizada, o filho de Thaís Câmara deveria percorrer cerca de 4 quilômetros todas as noites, para ir estudar, entre a Escola Nathanael e a Armando Dias, na Vila Real. Para quem estuda em Várzea Paulista e trabalha em Jundiaí, ainda precisa depender do transporte público oferecido pela Rápido Luxo Campinas, até chegar ao destino.


