quinta-feira, 4, junho, 2026, 01:26
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IML de Jundiaí faz exumação da menina Ana Clara, para investigação sobre a morte

Uma menina de 4 anos morreu após complicações em uma cirurgia de adenoamigdalectomia realizada em Jundiaí. O caso, que ocorreu em janeiro, será investigado pela Polícia Civil, com a exumação do corpo marcada para esta sexta-feira (06), com participação de equipes do Instituto Médico Legal (IML).

Ana Clara foi internada no Hospital da Unimed, em Jundiaí, na manhã do dia 15 de janeiro de 2026, por volta das 7h, para realização de uvulopalatofaringoplastia, adenoamigdalectomia e amigdalectomia lingual.

O médico responsável havia informado aos pais que se tratava de uma cirurgia simples, de baixo risco, com possibilidade de alta no mesmo dia.

Complicações pós-cirúrgicas

Por volta das 8h25, a criança foi encaminhada à Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) e entregue aos cuidados da mãe.

Nesse momento, a genitora percebeu que a filha apresentava sonolência, dificuldade respiratória, gemidos, discreto sangramento pela boca e coloração arroxeada.

A saturação de oxigênio da paciente também estava em queda.

Ana Clara foi levada às pressas de volta ao centro cirúrgico, onde foi necessária nova intubação.

Após estabilização, o cirurgião e o anestesista informaram aos pais que, durante o procedimento, constataram que a traqueia de Ana Clara era mais estreita do que o habitual para sua idade e peso.

Segundo relataram, apenas o tubo de intubação tamanho 4,0 pôde ser inserido, enquanto o padrão seria 5,0 ou, no mínimo, 4,5.

Diante da gravidade do quadro e da ausência de UTI pediátrica no Hospital da Unimed, foi solicitada a transferência da paciente para o Hospital Santa Elisa.

A ambulância, no entanto, demorou a chegar, segundo declarações da família, tendo sido aguardada até por volta das 12h.

Praticamente no momento da chegada do veículo, Ana Clara foi extubada e novamente encaminhada à sala de recuperação.

Terceira intubação

A criança permaneceu com os pais por pouco mais de uma hora, quando pediu água à mãe.

Após consulta à equipe médica, os profissionais autorizaram a ingestão.

Contudo, Ana Clara conseguiu beber apenas um gole.

Em seguida, passou a apresentar chiado no peito e sudorese fria, indicativa de possível quadro febril.

Em poucos minutos, sua saturação voltou a cair, sendo necessária uma terceira intubação.

Desta vez, somente foi possível inserir, de forma parcial, um tubo de tamanho 3,5, devido ao inchaço da traqueia.

Após nova estabilização, a transferência para a UTI do Hospital Santa Elisa foi efetivada.

Agravamento do quadro

No dia 16 de janeiro, por volta das 18h, o tubo foi substituído por um de tamanho 4,0.

Os médicos informaram que Ana Clara permaneceria em observação na UTI por, no mínimo, 72 horas e que, caso evoluísse de forma favorável, o processo de extubação seria iniciado no dia 19.

A criança permaneceu estável até a noite do dia 18 de janeiro.

Por volta das 19h30, sua saturação voltou a cair, passando a apresentar esforço respiratório intenso, mesmo estando intubada.

A equipe médica realizou manobras de reanimação com ventilação por ambu. Após o procedimento, a paciente apresentou edema acentuado em região cervical, face e tórax bilateralmente, além de broncoespasmo.

De acordo com o prontuário médico, Ana Clara evoluiu com enfisema subcutâneo importante. Após radiografia de tórax, foi identificado pneumotórax, sendo necessária drenagem torácica para eliminação do ar acumulado.

Óbito

Na madrugada do dia 19 de janeiro, por volta das 2h40, a saturação de Ana Clara voltou a cair.

A equipe médica do Santa Eliza realizou novas manobras de reanimação, incluindo ventilação com pressão positiva, compressões torácicas e administração de medicamentos. Apesar dos esforços, a criança não resistiu e veio a óbito às 4h45.

A médica responsável pelo atestado de óbito apontou como causas da morte: insuficiência respiratória, hipertensão pulmonar secundária, pneumotórax, broncoespasmo, falhas de extubação e hipertrofia de amígdalas e adenoide.

Investigação

Diante das múltiplas causas registradas, o pai decidiu lavrar Boletim de Ocorrência e solicitar a exumação do corpo para realização de autópsia, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias que levaram ao falecimento da filha.

O delegado responsável pelo caso instaurou inquérito policial e solicitou judicialmente a exumação do corpo, que foi concedida pela Justiça.

A família foi informada pela Polícia Civil, no dia 30 de janeiro, sobre a autorização judicial para o procedimento.

Os pais manifestaram profunda preocupação com a preservação da eficácia da prova técnica e a possibilidade de esclarecimento dos fatos através do laudo pericial do IML.