quinta-feira, 23, julho, 2026, 09:33
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Guarda atira em motorista que acelerou carro durante abordagem. Ele achou que era assalto

Um guarda municipal disparou contra um motorista durante uma abordagem na madrugada desta quinta-feira (23), na Avenida Silvestre José de Oliveira, no bairro Vale Azul, em Jundiaí.

O caso foi registrado no Plantão Policial da cidade e, após oitiva das partes envolvidas, o delegado plantonista, Dr. Victor Lins Romano Esteves, decidiu não ratificar a prisão em flagrante e determinou a instauração de inquérito policial para apurar a dinâmica dos fatos.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Guarda Municipal (GM) realizava patrulhamento preventivo pela região por volta das 1h30, área apontada pelos agentes como de alta incidência de tráfico de entorpecentes, roubos e desmanche de veículos.

A equipe teria avistado um carro parado com a porta aberta e se aproximado para verificação.

Segundo o relato dos guardas, após o desligamento do giroflex e ordens verbais para que o motorista saísse do veículo, o condutor teria acelerado o automóvel em direção à equipe, o que motivou um dos agentes a efetuar um disparo, atingindo a mão do motorista.

A vítima, por sua vez, apresentou versão diferente: afirmou não ter percebido inicialmente que se tratava de uma abordagem policial e disse acreditar que outro veículo pretendia apenas ultrapassá-lo. Segundo seu depoimento, iniciou uma manobra para encostar o carro no momento em que foi atingido pelo tiro.

Uma adolescente que estava no veículo como passageira, ouvida como testemunha, corroborou parcialmente essa versão, relatando que ambos temeram estar diante de um assalto.

Após o disparo, a própria equipe de GMs prestou os primeiros socorros e conduziu a vítima ao Hospital São Vicente de Paulo, onde permanece internada sem previsão de alta.

A arma utilizada, uma pistola Taurus TS9, calibre 9mm, pertencente à corporação, foi apreendida para perícia, assim como o veículo envolvido, que passará por exame residuográfico e perícia balística.

Em despacho, a autoridade policial ponderou que as versões apresentadas são “controvertidas” e ainda carecem de suporte probatório suficiente para uma conclusão segura sobre os fatos, mas apontou que os elementos até então reunidos indicam, em tese, hipótese de legítima defesa putativa por parte do agente.

A conduta posterior da equipe, com o socorro imediato à vítima, também foi citada como fator compatível com a ausência de intenção de causar dano além do necessário.