Datafolha: eleitor se divide sobre vencedor do debate
Por Igor Gielow
(Folhapress) – O segundo e último debate entre os rivais de segundo turno pela Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), mudou o voto de apenas 2% dos eleitores, aponta pesquisa do Datafolha.
De acordo com o instituto, 54% dos entrevistados neste sábado (24) disseram ter assistido, inteiro ou em parte, ao encontro na TV Globo, ocorrido na noite anterior.
Para 98%, o confronto entre os presidenciáveis na TV não mudou o voto na eleição presidencial.
Quem se saiu melhor
O instituto também perguntou aos entrevistados, pelo que viu ou ficou sabendo, qual candidato se saiu melhor no debate.
Acharam que Lula se saiu melhor do que Flávio 36%, e outros 36% disseram o contrário. Responderam ambos 3%, e nenhum, 4%. Disseram nenhum 21% dos ouvidos.
Nessa pergunta específica, o Datafolha ouviu 1.867 pessoas neste sábado (24), em um trabalho contratado pela Folha e pela TV Globo. A margem de erro da pesquisa, registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-09540/2026, é de dois pontos para mais ou para menos.
Quem acompanhou o debate
Entre segmentos do eleitorado, o índice de quem assistiu ao debate foi a 61% entre jovens de 16 a 24 anos e a 67% nos entrevistados com ensino superior.
Um confronto duro, com pouca discussão programática
O debate foi marcado por várias trocas de acusações e pouca discussão programática, mas teve regras que impediram o clima de vale-tudo do encontro do domingo passado (18), na Band, considerado um dos confrontos mais agressivos e de baixo nível da história da redemocratização.
O presidente conseguiu apertar o senador no campo da segurança pública, algo raro, ao levar para a plateia a mãe da menina Ana Clara, morta por um policial que Flávio defendeu como advogado. Além disso, o filho de Jair Bolsonaro se mostrou mais nervoso e algo perdido em vários momentos.
Já Lula foi confrontado com um discurso coeso sobre a questão do custo de vida e da renda, além de transparecer cansaço físico ao longo do debate.
Ambos os candidatos, de todo modo, abusaram do recurso a exageros e mentiras para fustigar o adversário.
Os rivais se enfrentam neste domingo (25) no final da campanha mais competitiva desde o pleito de 1989, que inaugurou a volta das eleições presidenciais diretas após o fim da ditadura de 1964.

