Sem vendas, concessionárias começam a demitir

Com o mercado totalmente parado por causa da quarentena, e sem poder vender carros desde o dia 23 de março, o Grupo Andreta – que possuí várias lojas em Jundiaí e outras cidades – iniciou um processo de demissões. A expectativa inicialmente é de cortar 7% do quadro de funcionários, segundo a empresa.

O Grupo Andreta informou ao “Jornal da Região” que até o dia 8 de abril buscou-se várias soluções para evitar cortes, como concessão de férias e descontos do banco de horas dos colaboradores. Mas sem a previsão de retorno ao trabalho por causa do decreto de quarentena, se tornou uma situação “sofrida”, de pessoas que estavam em cargos “pontuais”.

A Andreta diz que sempre se preocupou com a saúde de seus funcionários e espera voltar à vida normal em um futuro “breve”.

Na Luchini e Valec os empresários responsáveis vão apostar na Medida Provisória do Governo Federal, dos 50% da empresa e 50% do Governo, para tentar evitar as demissões, até o dia 22 abril. Se houver prolongamento da quarentena até o dia 4 de maio, daí haverá reunião dos sócios. Por enquanto a empresa diz que consegue segurar. Mas teme pelo futuro, uma vez que muitas indústrias estão demitindo e sem dinheiro as pessoas deixam de comprar.

Nota da Andreta

Conforme é de conhecimento público, o cenário comercial brasileiro sofreu repentina modificação devido à crise de saúde pública causada pelo novo Coronavírus, que culminou com a decretação de Calamidade Pública pelo Decreto Legislativo Federal nº 6/2020, de Calamidade Pública em Jundiaí pelo Decreto nº 28.926/2020, com a determinação da redução da prestação de serviços não essenciais (Decreto estadual nº 64.881/2020). Foi, ainda, adotado o regime de quarentena, com a redução do fluxo de pessoas nas ruas e a vedação a eventos e aglomerações, nos termos do Decreto nº 64.881/2020; da Deliberação 2, de 23/3/2020, do Comitê Administrativo Extraordinário Covid-19; e da Portaria nº 454 do Ministério da Saúde.

Muito embora este seja um momento difícil e de muitas incertezas para toda a sociedade, ele impacta de maneira mais incisiva alguns setores. No caso do setor automotivo, as últimas medidas legislativas afetaram sobremaneira o seu modelo de negócio, já que a empresa atua na distribuição e venda de veículos de passeio, que não foi considerada “atividade essencial” pelo Decreto federal nº 10.282/2020.

Desse modo, a Andreta foi obrigada a fechar suas portas no dia 23/03, sem previsão para reabri-las ao público. Assim, ela está obstada de exercer seu objeto social do comércio de veículos por ato de força maior, ou seja, que foge de seu controle.

Como consequência, a Andreta teve seu faturamento reduzido à zero até 08/04/2020, não se sabendo qual será a retomada plena de suas atividades e, principalmente, com que velocidade. Tão somente as oficinais, a partir do dia 08/04/2020, foram autorizadas a operar, e de forma limitada.

Mesmo assim, até o dia 08 de abril p.p., tomamos várias medidas para que não fosse necessária qualquer demissão, se utilizando de férias e desconto em banco de horas de nossos colaboradores. Porém, uma vez cientes desse cenário de força maior imprevisível, no sentido de preservar o futuro da empresa – pensando em ter uma empresa em funcionamento no futuro – colocamos diversos outros colaboradores em férias novamente, e infelizmente fez-se necessário algumas sofridas demissões de outros tantos colaboradores em cargos pontuais, o que implicou na redução de somente 7% do nosso quadro total de funcionários.

Estamos no aguardo das medidas governamentais que se encontram em discussão, e tendo segurança jurídica definiremos o que fazer no futuro com relação as nossas empresas.

Importante destacar que sempre resguardamos a saúde de nossos colaboradores e clientes, e esperamos num futuro mais breve possível voltar a nossa vida normal.