Jundiaí faz diagnóstico preventivo de árvores na Rua Anchieta

A Prefeitura de Jundiaí, através da Unidade de Gestão de Infraestrutura e Serviços Públicos (UGISP), está realizando uma análise técnica de mais de 70 árvores plantadas na Rua Anchieta, no Centro da cidade. A maioria delas, segundo nota técnica da empresa Agro Ambiental (contratada pela Administração Municipal), é antiga, com mais de 40 anos, e algumas podem cair.

Ao longo dos anos, estas árvores vêm sofrendo com podas para o convívio da rede de distribuição elétrica e de telecomunicações, além das alterações no solo provocadas pelo sistema de drenagem urbana, distribuição de água, gás e coleta de esgoto. O objetivo da UGISP é realizar um diagnóstico preventivo destas plantas, evitando que uma possível queda possa interromper o fornecimento de energia, ferir as pessoas ou causar acidentes e danos materiais.

“Precisamos manter a cidade arborizada, mas sem riscos aos munícipes. Nesta época de pandemia do Novo Coronavírus, queremos ainda evitar o corte de energia numa região com hospitais, entre eles o São Vicente de Paulo, que atendem pacientes com COVID-19 ligados a aparelhos eletrônicos. A vida de muitas destas pessoas depende destes equipamentos funcionando continuamente”, destacou o gestor da UGISP, Adilson Rosa.

Rudislei Santos, engenheiro agrônomo e de Segurança do Trabalho, assinou a nota técnica e revelou que boa parte das 72 árvores do Centro analisadas é da espécie popularmente conhecida como tipuana (Tipuana tipu), nativa da América do Sul – do norte da Argentina até a Bolívia. Também existem alguns exemplares de sibipiruna (Caesalpinia pluviosa), árvore nativa da mata atlântica encontrada na faixa que se estende do norte do Rio de Janeiro até o sul da Bahia.

“As tipuanas em especial possuem uma madeira de menor resistência se comparada à sibipiruna, o que a deixa mais suscetível a ataques de insetos (em especial cupins) e fungos. Eles diminuem sua resistência, aumentando assim seu risco de queda. No entanto, entendemos que estamos falando de árvores que são testemunhas da história do crescimento de Jundiaí e trazem uma beleza toda especial para a Rua Anchieta. Neste contexto, a avaliação destas árvores está sendo realizada em nível 3, como preconiza a Sociedade Internacional de Arboricultura (ISA) e a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU)”, disse Rudislei.

Avaliação de resistência
No nível 3, além da avaliação do visual da árvore e da observação de sintomas e sinais aparentes, é feita uma avaliação da resistência da madeira através de equipamentos específicos para este tipo de serviço. A primeira etapa foi a catalogação e divulgação de todas as árvores da rua, seguida de uma identificação numérica classificando quais seriam passíveis de serem avaliadas. Na etapa seguinte, as árvores passíveis da avaliação em nível 3 serão avaliadas através de um equipamento chamado penetrógrafo.

“A penetrografia avalia a resistência da madeira e a presença de cavidades no interior da árvore, sendo assim possível estimar seu risco de queda. As que não obtiverem resultados conclusivos com a penetrografia serão submetidas a tomografia sônica (uso da propagação de ondas sonoras no interior das árvores). Com estes resultados, será possível recomendar com maior precisão qual tipo de intervenção será necessário. As medidas adotadas pela Prefeitura darão um novo olhar sobre a arborização de Jundiaí”, completou o engenheiro agrônomo e de Segurança do Trabalho.